sábado, 28 de abril de 2012

Voltas?


             
      Estou farta de me deitar no escuro, olhar para trás e pensar no que já fiz. É estranho, mas há vezes em que tenho a certeza que me arrependo de tudo. Voltar atrás seria o ideal: viver de novo os bons momentos, aproveitar todas as oportunidades benéficas que desperdicei por ignorância, evitar os erros, proteger-me melhor, tomar melhores decisões, viver intensamente cada fase boa, aproveitar os dias, não deixar as pessoas irem embora… Mas tu, tempo, és maléfico e desesperante! Será que não podias sair desse teu mundo, perceberes tudo e andar para trás, parar nas melhores ocasiões e anular todos os dias escuros de amargura e sofrimento? Não penses só em ti, tempo, pensa nos outros também. Tudo bem, tens essa obrigação estúpida de não parar e andar sempre ao mesmo ritmo, e daí? Sabes!? Os outros também têm a obrigação de serem felizes e de remediarem tudo o que podia estar melhor. Mas tu não deixas.
     Infelizmente, não adianta de muito martirizar-me por isto, mas entristece-me tanto lembrar-me dos erros que cometi, dos sentimentos que não demonstrei, das lágrimas que deitei e das paixões que ignorei. Mas não importa, tu, tempo, não voltas e nunca paras. Tudo o que não fiz talvez não merecesse ser feito de facto, mas eu, eu merecia pelo menos saber como seria se tivesse feito tudo de diferente forma.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Eu não gosto muito de ti, eu amo-te




          Há dias em que espero algo de ti, espero durante muito tempo e nada; há outros nos quais já não espero nada e é precisamente nesses que me surpreendes. Devia ficar feliz, certo? Desculpa, mas não consigo ficar. Quando preciso de ti nunca lá estás e quando precisas de mim eu estou lá sempre. Aprende a estar presente não nos momentos mais importantes, não nos melhores nem sequer nos piores, aprende a estar presente naqueles em que preciso que estejas lá, comigo. Nestes, faz só isto: aproxima-te, pega-me ao colo e diz "eu estou aqui, para ti". Prova que me amas, prova que precisas de mim, prova que não vives sem mim! Age e mostra-me tudo o que ainda não mostraste; não mantenhas os olhos fechados, toma consciência da realidade e percebe finalmente o quão importante és no Mundo, no meu Mundo, no Nosso Mundo. Não me iludas. Vindo de ti, tudo irá doer.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ainda estás aí?



             Ia vendo aqueles filmes, ia ouvindo aquelas músicas e ia lendo aqueles livros de histórias de amor e, quer acabassem bem ou mal, todas elas me faziam chorar. Era algo que não conseguia controlar. E pronto… não vivia, ia vivendo… Todos os dias eram seguidos, mas interrompidos pelas horas que passava a dormir e a chorar.
Começava a chover e deixava que o meu coração se molhasse, como se não o conseguisse evitar. Aquele órgão, disperso de si mesmo, já encharcado e magoado, tinha a capacidade de magoar todo o resto do meu corpo.
“Que aconteceu, que se passa?”, perguntava-me. Ficava muito tempo a pensar na resposta ideal e, mesmo com aquela mágoa dentro de mim, acabava por encontrar a resposta e ter potencialidade para responder: “Magoaram-te, traíram-te. É duro, magoa e tu estás a sentir, a sentir tudo”.
Eu não gostava de ti. Não gostava de ti, tal como um surdo ouvia, tal como a Terra não girava à volta do Sol, tal como a água não era capaz de tirar a espuma. Mas… se não gostava de ti como afirmava, porque sofria, porque sentia tudo, porque estava magoada?
No final, percebia sempre que gostava de ti e gostava demasiado. Gostava porque gostava. Gostava e ficava magoada com tudo aquilo que dizias e fazias. Tinhas essa vontade de me ver sofrer e conseguia-lo sempre, melhor que ninguém.
Era impressionante e inacreditável e… ainda é.
Eu amava-te e sentia isso melhor e mais do que qualquer outra pessoa no Mundo. Até hoje, nada mudou, só tu.
Agora… agora, tenho coragem de dizer que, de facto, ainda te amo e isso nunca mudará. O amor puxa o ódio, tal como o ódio puxa o amor. Eu odeio-te tanto, que até consigo amar-te. Mas amar-te, aliás, como ninguém.