Estou farta de me deitar no escuro, olhar para trás e pensar no que já fiz. É estranho, mas há vezes em que tenho a certeza que me arrependo de tudo. Voltar atrás seria o ideal: viver de novo os bons momentos, aproveitar todas as oportunidades benéficas que desperdicei por ignorância, evitar os erros, proteger-me melhor, tomar melhores decisões, viver intensamente cada fase boa, aproveitar os dias, não deixar as pessoas irem embora… Mas tu, tempo, és maléfico e desesperante! Será que não podias sair desse teu mundo, perceberes tudo e andar para trás, parar nas melhores ocasiões e anular todos os dias escuros de amargura e sofrimento? Não penses só em ti, tempo, pensa nos outros também. Tudo bem, tens essa obrigação estúpida de não parar e andar sempre ao mesmo ritmo, e daí? Sabes!? Os outros também têm a obrigação de serem felizes e de remediarem tudo o que podia estar melhor. Mas tu não deixas.
Infelizmente,
não adianta de muito martirizar-me por isto, mas entristece-me tanto lembrar-me
dos erros que cometi, dos sentimentos que não demonstrei, das lágrimas que
deitei e das paixões que ignorei. Mas não importa, tu, tempo, não voltas e
nunca paras. Tudo o que não fiz talvez não merecesse ser feito de facto, mas
eu, eu merecia pelo menos saber como seria se tivesse feito tudo de diferente
forma.


