Ia vendo aqueles filmes, ia ouvindo aquelas músicas e ia lendo aqueles livros de histórias de amor e, quer acabassem bem ou mal, todas elas me faziam chorar. Era algo que não conseguia controlar. E pronto… não vivia, ia vivendo… Todos os dias eram seguidos, mas interrompidos pelas horas que passava a dormir e a chorar.
Começava a chover e deixava que o meu
coração se molhasse, como se não o conseguisse evitar. Aquele órgão, disperso
de si mesmo, já encharcado e magoado, tinha a capacidade de magoar todo o resto
do meu corpo.
“Que aconteceu, que se passa?”,
perguntava-me. Ficava muito tempo a pensar na resposta ideal e, mesmo com
aquela mágoa dentro de mim, acabava por encontrar a resposta e ter potencialidade
para responder: “Magoaram-te, traíram-te. É duro, magoa e tu estás a sentir, a
sentir tudo”.
Eu não gostava de ti. Não gostava de
ti, tal como um surdo ouvia, tal como a Terra não girava à volta do Sol, tal
como a água não era capaz de tirar a espuma. Mas… se não gostava de ti como
afirmava, porque sofria, porque sentia tudo, porque estava magoada?
No final, percebia sempre que gostava
de ti e gostava demasiado. Gostava porque gostava. Gostava e ficava magoada com
tudo aquilo que dizias e fazias. Tinhas essa vontade de me ver sofrer e
conseguia-lo sempre, melhor que ninguém.
Era impressionante e inacreditável e…
ainda é.
Eu amava-te e sentia isso melhor e
mais do que qualquer outra pessoa no Mundo. Até hoje, nada mudou, só tu.
Agora… agora, tenho coragem de dizer
que, de facto, ainda te amo e isso nunca mudará. O amor puxa o ódio, tal como o
ódio puxa o amor. Eu odeio-te tanto, que até consigo amar-te. Mas amar-te,
aliás, como ninguém.

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